Sei que faz tempo, mas passou tanto tempo sem acontecer nada de interessante e depois aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo que nem consegui vir aqui para atualizar as informações.
Primeira informação: Vamos voltar para o Brasil. Esta era, na verdade, uma decisão que foi tomada quando ainda estávamos lá, antes de voltarmos para cá. Razões? Visto que vence em dezembro e fica difícil de renovar, vontade de estudar e aqui escolas são absurdamente caras e, principalmente, o prazo de validade venceu. Nova Zelândia é um país lindo e vale muito a pena conhecer, mas como nós não planejamos viver a vida inteira aqui nem temos contas e mais contas para pagar no Brasil, ficar aqui nunca foi uma decisão a longo prazo.
Segunda informação: Juliano foi demitido do McDonald's. Não por ineficiência ou nada, eles simplesmente descobriram que nosso visto só permite trabalhar 3 meses para o mesmo empregador (e não 10, como o Juliano ficou). Ótimo. Então, eles perguntam ao Ju o que podem fazer para ajudá-lo. Ju diz para me darem o máximo de horas de trabalho possível. O que eles fazem? Me dão 8 horas em uma semana para trabalhar. O que eu faço? Desculpa, mas não sou mendiga para ficar vivendo de favor dos outros, muito obrigada, adeus, até logo mais.
Terceira informação: Jack The Fat Cat está indo com a gente. Ou pelo menos é o que estamos tentando, correndo atrás de tudo o que é necessário porque não temos os 1500 dólares que as agências especializadas em fazer tudo pela gente cobram. É vacina, certificado de saúde endossado pelo Ministério de Biosegurança e pela Embaixada Brasileira, gaiola, tudo. Parece pouco, mas dá uma boa dor de cabeça. Mas por sorte todos até agora foram extremamente solícitos nos lugares em que fomos pedir informação: no tal Ministério e na Embaixada. Ou quase todos, porque os "super" eficientes funcionários de las Aerolíneas Argentinas não sabem de nada e têm raiva de quem sabe.
Ou seja, estamos nos nossos últimos dias em terras kiwis. Ainda não sabemos quanto tempo nos resta, vamos marcar a passagem amanhã, mas por hora já está tudo praticamente pronto. Só colocar na mala e ir. A casa entregamos nesta semana e vamos morar ou com a Dawn, nossa kiwi-mom, ou com a Charmina, nossa amiga filipina que adora brasileiros e tenta arranhar um português. A única "pessoa" que ficou sem destino certo até agora é o Chris Obama, o gato preto sobre quem falei um tempo atrás. Estamos tentando encontrar um novo lar para ele, porque desde que ele chegou eu jurei que não ia me apegar e cumpri a promessa.
E por enquanto é isso. Informações dadas, volto quando tiver mais a falar.
Até.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
[Welcome to Riverland]
Okay, okay, talvez eu tenha demorado um certo longo tempo para resolver finalmente apresentar as "pessoas da fazenda", dando os devidos nomes e feedbacks. Pois bem, como antes tarde do que nunca, agora chegou a hora.
Era uma vez uma fazenda chamada Riverland Dairies, localizada no número 1367, Rakaia Terrace Road. Nesta fazenda havia cinco casas, duas logo na entrada e o resto a três quilômetros de distância. E nesta fazenda havia a maior concentração de brasileiros por metro quadrado que a Nova Zelândia já viu.
A primeira casa logo na entrada foi uma vez, num passado longínquo, onde eu e o Ju moramos. Eu, o Ju e mais seis pessoas, numa casa de três quartos e dois banheiros. Mas estou aqui para falar do presente e não contar como era esta fazenda há um ano. Hoje em dia nesta mesma casa mora o Mark, subgerente da fazenda e kiwi descendente de italianos, que até pouco tempo atrás era casado com a Tony, outra maori gigante, e tem uma filhinha de uns dois anos.
A segunda casa é a casa da mãe, que até o dia 18 do mês passado estava curtindo a vida de recém-casada morando sozinha com o Gordo, também conhecido como Rodrigo. Até o dia 18 de agosto, porque em questão de uma semana esta se tornou a casa com a maior densidade demográfica da fazenda.
Tudo porque o Jairton e a Jana voltaram do Brasil. Jairton é o irmão do Juliano, responsável indireto por eu estar aqui, e Jana é a esposa dele. E os dois trouxeram o Zé Carlos, que era açougueiro em São Pedro e resolveu vir tentar a sorte pros lados de cá.
A parte em que eu comentei sobre ele ser de São Pedro é um bocado importante. Absolutamente todos os brasileiros nesta fazenda, sob a excessão da mãe, são oriundos de duas cidades do interior de São Paulo, separadas entre si por sete quilômetros de estrada: São Pedro e Águas de São Pedro.
Logo depois do Jairton e a Jana voltarem, foi a vez do Taio e da Flávia. O Taio é filho da Dona Sônia, que como a mãe fala é uma das lendas de Águas de São Pedro, que foi professora de geografia de quase todos aqui (inclusive eu). Além disso, o próprio Taio foi meu professor de informática na quinta série, e a Flávia (que é a esposa dele) é professora de matemática.
Não percam a conta, até agora foram sete brasileiros, todos morando na mesma casa de um banheiro só.
Três quilômetros adiante, chegamos na terceira casa, também conhecida como "Casa dos Solteiros". Nela moram o Paulo, mais conhecido como Tico, que é tio da Érica e portanto meu conhecido desde tempos primórdios, e o Gian, outro kiwi que só vi pessoalmente uma vez.
A casa quatro, última com brasileiros, é outra com superpolulação. Tem exatamente a mesma planta da casa da mãe e nela moram o João e a Drika, casados e que estão aqui há quase tanto tempo quanto o Jairton, a Marielle, amiga deles e que tem uma fazenda de leite no Brasil, e os recém-chegados Teta, irmão da Marielle, e Dayane, esposa dele e que todo mundo fala que é a cara da mãe. Estes dois últimos eu ainda não conheci.
A última casa é ocupada pelo não menos importante gerente da fazenda, Brent, a namorada Juliet e os dois pit bulls carniceiros Missy e Chase. Todos kiwis de carteirinha, mas os dois humanos passaram 15 dias no Brasil em julho.
Se minhas contas estão corretas, são quinze brasileiros em uma única fazenda, sem contar todos aqueles que já passaram por aqui. Afinal de contas, brasileiro é praga e cada um traz mais cinco, e a Riverland Dairies é a porta de entrada para todos os aventureiros interessados em conhecer ou em trabalhar na Terra dos Kiwis.
Era uma vez uma fazenda chamada Riverland Dairies, localizada no número 1367, Rakaia Terrace Road. Nesta fazenda havia cinco casas, duas logo na entrada e o resto a três quilômetros de distância. E nesta fazenda havia a maior concentração de brasileiros por metro quadrado que a Nova Zelândia já viu.
A primeira casa logo na entrada foi uma vez, num passado longínquo, onde eu e o Ju moramos. Eu, o Ju e mais seis pessoas, numa casa de três quartos e dois banheiros. Mas estou aqui para falar do presente e não contar como era esta fazenda há um ano. Hoje em dia nesta mesma casa mora o Mark, subgerente da fazenda e kiwi descendente de italianos, que até pouco tempo atrás era casado com a Tony, outra maori gigante, e tem uma filhinha de uns dois anos.
A segunda casa é a casa da mãe, que até o dia 18 do mês passado estava curtindo a vida de recém-casada morando sozinha com o Gordo, também conhecido como Rodrigo. Até o dia 18 de agosto, porque em questão de uma semana esta se tornou a casa com a maior densidade demográfica da fazenda.
Tudo porque o Jairton e a Jana voltaram do Brasil. Jairton é o irmão do Juliano, responsável indireto por eu estar aqui, e Jana é a esposa dele. E os dois trouxeram o Zé Carlos, que era açougueiro em São Pedro e resolveu vir tentar a sorte pros lados de cá.
A parte em que eu comentei sobre ele ser de São Pedro é um bocado importante. Absolutamente todos os brasileiros nesta fazenda, sob a excessão da mãe, são oriundos de duas cidades do interior de São Paulo, separadas entre si por sete quilômetros de estrada: São Pedro e Águas de São Pedro.
Logo depois do Jairton e a Jana voltarem, foi a vez do Taio e da Flávia. O Taio é filho da Dona Sônia, que como a mãe fala é uma das lendas de Águas de São Pedro, que foi professora de geografia de quase todos aqui (inclusive eu). Além disso, o próprio Taio foi meu professor de informática na quinta série, e a Flávia (que é a esposa dele) é professora de matemática.
Não percam a conta, até agora foram sete brasileiros, todos morando na mesma casa de um banheiro só.
Três quilômetros adiante, chegamos na terceira casa, também conhecida como "Casa dos Solteiros". Nela moram o Paulo, mais conhecido como Tico, que é tio da Érica e portanto meu conhecido desde tempos primórdios, e o Gian, outro kiwi que só vi pessoalmente uma vez.
A casa quatro, última com brasileiros, é outra com superpolulação. Tem exatamente a mesma planta da casa da mãe e nela moram o João e a Drika, casados e que estão aqui há quase tanto tempo quanto o Jairton, a Marielle, amiga deles e que tem uma fazenda de leite no Brasil, e os recém-chegados Teta, irmão da Marielle, e Dayane, esposa dele e que todo mundo fala que é a cara da mãe. Estes dois últimos eu ainda não conheci.
A última casa é ocupada pelo não menos importante gerente da fazenda, Brent, a namorada Juliet e os dois pit bulls carniceiros Missy e Chase. Todos kiwis de carteirinha, mas os dois humanos passaram 15 dias no Brasil em julho.
Se minhas contas estão corretas, são quinze brasileiros em uma única fazenda, sem contar todos aqueles que já passaram por aqui. Afinal de contas, brasileiro é praga e cada um traz mais cinco, e a Riverland Dairies é a porta de entrada para todos os aventureiros interessados em conhecer ou em trabalhar na Terra dos Kiwis.
[Uniformemente Acelerado]
Quase três semanas de McDonald's e já posso dizer que tenho uma certa experiência. Até hoje só fiquei nos caixas e não tenho a menor ambição de trocar de posição. Muito mais feliz tentando me comunicar com os clientes japoneses do que queimando o dedo na chapa dos hambúrgueres.
E muita gente anda me pedindo fotos com o uniforme. Bom, deixo aqui minha promessa de que ainda vou tirar uma foto, junto com o aviso de que, como a mãe, o Gordo, o Taio e a Flávia confirmam, eu pareço uma pessoa totalmente diferente com aquela camisa azul e o boné preto, cabelo em coque (ou quase isso) para trás. E não, isto não é no bom sentido.
Sabem no filme A Bela e a Fera, quando a Fera está se arrumando para o baile e o mancebo-cabeleireiro faz cachos e põe lacinhos por todos os lados? A reação da Fera quando se vê no espelho é extremamente parecida com como eu me sinto usando o uniforme: estúpida.
Não que eu esteja reclamando do trabalho, longe de mim. Mas que o uniforme podia, no mínimo, me deixar livre do boné, isso podia.
O trabalho, por si, é... bem, um trabalho. Alguns dias legal, outros dias nem tanto, alguns dias um sucesso e em outros um desastre. Adoro alguns colegas de trabalho, como a Allison, que vem lá da terra do Robin Hood e tem um sotaque extremamente engraçado, tanto quanto afogaria outros numa privada com o maior prazer, como o James, que é da ilha norte e uma criatura bizarra que acha que é gerente mas tem a mesma posição que eu.
O grande problema agora é convencer os gerentes a me darem mais horários de trabalho. Semana passada tinha três dias, mas trabalhei quatro porque o Ju foi para Christchurch com o Jairton e eu fui no lugar dele. Já nesta semana só me deram trabalho no sábado e no domingo. Aceito sugestões quanto ao que fazer com os outros cinco dias.
E hoje consegui internet porque o pessoal da fazenda (anotação mental de dedicar meu próximo post às devidas apresentações sobre o "pessoal da fazenda") conseguiu convencer o Ju a virar professor de inglês três vezes por semana e hoje foi a primeira aula. Só quero ver até quando isto vai durar, e que fique bem claro que não estou jogando mandinga porque afinal de contas é um dinheirinho a mais e muito bem vindo toda semana. E também significa que terei internet com maior freqüência, o que é mais do que bem vindo. Torço para que estas aulas vinguem.
De resto, até poderia estender meu post por muitos mais parágrafos porque estou inspirada, mas além de não acrescentar muita coisa útil eu ainda estaria bagunçando aqui. Então deixo outros assuntos para o próximo post.
Até a próxima!
E muita gente anda me pedindo fotos com o uniforme. Bom, deixo aqui minha promessa de que ainda vou tirar uma foto, junto com o aviso de que, como a mãe, o Gordo, o Taio e a Flávia confirmam, eu pareço uma pessoa totalmente diferente com aquela camisa azul e o boné preto, cabelo em coque (ou quase isso) para trás. E não, isto não é no bom sentido.
Sabem no filme A Bela e a Fera, quando a Fera está se arrumando para o baile e o mancebo-cabeleireiro faz cachos e põe lacinhos por todos os lados? A reação da Fera quando se vê no espelho é extremamente parecida com como eu me sinto usando o uniforme: estúpida.
Não que eu esteja reclamando do trabalho, longe de mim. Mas que o uniforme podia, no mínimo, me deixar livre do boné, isso podia.
O trabalho, por si, é... bem, um trabalho. Alguns dias legal, outros dias nem tanto, alguns dias um sucesso e em outros um desastre. Adoro alguns colegas de trabalho, como a Allison, que vem lá da terra do Robin Hood e tem um sotaque extremamente engraçado, tanto quanto afogaria outros numa privada com o maior prazer, como o James, que é da ilha norte e uma criatura bizarra que acha que é gerente mas tem a mesma posição que eu.
O grande problema agora é convencer os gerentes a me darem mais horários de trabalho. Semana passada tinha três dias, mas trabalhei quatro porque o Ju foi para Christchurch com o Jairton e eu fui no lugar dele. Já nesta semana só me deram trabalho no sábado e no domingo. Aceito sugestões quanto ao que fazer com os outros cinco dias.
E hoje consegui internet porque o pessoal da fazenda (anotação mental de dedicar meu próximo post às devidas apresentações sobre o "pessoal da fazenda") conseguiu convencer o Ju a virar professor de inglês três vezes por semana e hoje foi a primeira aula. Só quero ver até quando isto vai durar, e que fique bem claro que não estou jogando mandinga porque afinal de contas é um dinheirinho a mais e muito bem vindo toda semana. E também significa que terei internet com maior freqüência, o que é mais do que bem vindo. Torço para que estas aulas vinguem.
De resto, até poderia estender meu post por muitos mais parágrafos porque estou inspirada, mas além de não acrescentar muita coisa útil eu ainda estaria bagunçando aqui. Então deixo outros assuntos para o próximo post.
Até a próxima!
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
[Miss McDonald's]
Agora sim, informação oficial: vou trabalhar no McDonald's. Assinei contrato e tudo, começo amanhã. A partir de hoje moram três McDonald's employees na mesma casa.
Recebi camiseta maior que o meu tamanho, calça duas vezes maior do que eu e um boné meio torto. E ainda tenho que correr atrás de um sapato preto para poder trabalhar (nada que a Santa Warehouse - a loja de departamentos com promoções malucas - não resolva).
E mais brasileiros aportanto na Terra dos Kiwis. Além do meu cunhado e a esposa que voltaram do Brasil trazendo um agregado, o Ju está neste momento em Christchurch, buscando mais dois casais que acabaram de chegar. Todos de Águas de São Pedro. Sim, eu também me pergunto quantos dos 1500 habitantes da cidade ainda restam por lá.
E, como dito acima, meu cunhado e a esposa voltaram do Brasil, o que significa que voltamos a ter "apenas" dois gatos em casa. A pobre Meg, depois de três meses de liberdade, indo e vindo de onde e para onde queria, a qualquer hora do dia ou da noite, agora terá que se readaptar à antiga rotina de ficar presa dentro de casa o dia inteiro, sob o risco de virar sobremesa de pit bull. E eu ainda sou capaz de apostar que ela está prenha.
Jack Geraldo e Chris Obama, por outro lado, passam bem. Jack está crescendo e começando a brigar com os gatos da vizinhança, o que nos obrigou a gastar outro dia com veterinário, quando ele apareceu com um buraco enorme cheio de pus. NZ$ 40,00 pela consulta, NZ$20,00 pela injeção de antibiótico e mais NZ$ 10,00 por uma caixa de papelão para transportar gatos, uma vez que meu pirilampo Geraldo se recusava a permanecer no meu colo.
Então amanhã é meu primeiro dia no novo trabalho. Me desejem sorte e que eu não me queime na chapa. Até a próxima vez em que eu tenha internet.
Recebi camiseta maior que o meu tamanho, calça duas vezes maior do que eu e um boné meio torto. E ainda tenho que correr atrás de um sapato preto para poder trabalhar (nada que a Santa Warehouse - a loja de departamentos com promoções malucas - não resolva).
E mais brasileiros aportanto na Terra dos Kiwis. Além do meu cunhado e a esposa que voltaram do Brasil trazendo um agregado, o Ju está neste momento em Christchurch, buscando mais dois casais que acabaram de chegar. Todos de Águas de São Pedro. Sim, eu também me pergunto quantos dos 1500 habitantes da cidade ainda restam por lá.
E, como dito acima, meu cunhado e a esposa voltaram do Brasil, o que significa que voltamos a ter "apenas" dois gatos em casa. A pobre Meg, depois de três meses de liberdade, indo e vindo de onde e para onde queria, a qualquer hora do dia ou da noite, agora terá que se readaptar à antiga rotina de ficar presa dentro de casa o dia inteiro, sob o risco de virar sobremesa de pit bull. E eu ainda sou capaz de apostar que ela está prenha.
Jack Geraldo e Chris Obama, por outro lado, passam bem. Jack está crescendo e começando a brigar com os gatos da vizinhança, o que nos obrigou a gastar outro dia com veterinário, quando ele apareceu com um buraco enorme cheio de pus. NZ$ 40,00 pela consulta, NZ$20,00 pela injeção de antibiótico e mais NZ$ 10,00 por uma caixa de papelão para transportar gatos, uma vez que meu pirilampo Geraldo se recusava a permanecer no meu colo.
Então amanhã é meu primeiro dia no novo trabalho. Me desejem sorte e que eu não me queime na chapa. Até a próxima vez em que eu tenha internet.
sábado, 15 de agosto de 2009
[O Aniversário Mais Longo da Terra]
Uma das partes mais interessantes de estar a quinze horas na frente de quem está no Brasil é que temos o aniversário mais longo da Terra (ou quase): 39 horas de aniversário.
E ontem (e hoje) minhas 39 horas chegaram. Vinte e um anos, o que para os Kiwis é o aniversário mais importante, porque teoricamente é quando atingimos a maioridade. Pra mim, morando desde os 17 longe dos meus pais, nenhuma diferença.
E tive uma comemoração e ganhei presentes, o que só por isso já fez deste ano melhor que o passado.
A mãe (notou a letra minúscula?) fez um bolo que parecia de padaria (um pouco torto, mas quem liga?) e eu e o Ju viemos de Ashburton até a fazenda para comemorar. Com direito a Sandro, Helen e Lara (mais um casal de brasileiros em terras kiwis e a filhinha super fofa deles) e a luz acabando no meio da festa. E ganhei um ursinho de pelúcia com suéter de "I love NZ" da Lara e uma carteira linda da mãe. Do Ju não ganhei nada, mas perdôo porque graças à viagem ao Brasil estamos sem um puto furado no bolso.
E por falar em puto furado, estou meio que empregada. Eu falo que as coisas aqui são fáceis, não é brincadeira.
Depois de rodar Ashburton inteira, deixando currículos e preenchendo formulários em todas as lojas possíveis, finalmente alguém me ligou. Adivinhem onde? Sim. McDonald's.
Foram três minutos de entrevista para a gerente marcar três horas de experiência para mim amanhã. Ou seja, vou trabalhar três horas para ver se gosto do trabalho e se eles acham que eu levo jeito para isso e ganhar um vale de NZ$10,00 para comer lá.
Não é exatamente o que eu estava esperando, mas como há aquele problema já comentado sobre a ausência de putos furados no bolso, se tudo der certo eu visto o uniforme azul feio e o bonezinho preto e mãos à obra. Torcendo escondida para que algum outro lugar veja meu currículo e diga "Oh, puxa! Esta pessoa parece legal, vamos contratá-la!" e eu possa mudar de emprego.
Não tenho problemas pessoais com o McDonald's, na verdade. E talvez assim que eu começar a trabalhar lá, veja que na verdade é muito legal e queira ficar. Meu problema na realidade é trabalhar no mesmo lugar em que o Ju trabalha desde o fim do ano passado. Pode ser besteira minha, mas pelo menos por enquanto prefiro outro lugar.
De resto tudo continua na mesma. Nossa flatmate gigante continua sem tomar banho (ah, sim, acho que esqueci deste detalhe no último post), continuo com três gatos em casa (porque além do Jack e do Chris, ainda estamos hospedando a Meg, irmã-prima do Jack, enquanto meu cunhado está no Brasil) e minha casa continua gelada feito o Mt. Hutt, que por sinal está coberto de neve até quase o pé.
Então vou aproveitar minha última hora e vinte minutos de aniversário e volto quando puder.
E ontem (e hoje) minhas 39 horas chegaram. Vinte e um anos, o que para os Kiwis é o aniversário mais importante, porque teoricamente é quando atingimos a maioridade. Pra mim, morando desde os 17 longe dos meus pais, nenhuma diferença.
E tive uma comemoração e ganhei presentes, o que só por isso já fez deste ano melhor que o passado.
A mãe (notou a letra minúscula?) fez um bolo que parecia de padaria (um pouco torto, mas quem liga?) e eu e o Ju viemos de Ashburton até a fazenda para comemorar. Com direito a Sandro, Helen e Lara (mais um casal de brasileiros em terras kiwis e a filhinha super fofa deles) e a luz acabando no meio da festa. E ganhei um ursinho de pelúcia com suéter de "I love NZ" da Lara e uma carteira linda da mãe. Do Ju não ganhei nada, mas perdôo porque graças à viagem ao Brasil estamos sem um puto furado no bolso.
E por falar em puto furado, estou meio que empregada. Eu falo que as coisas aqui são fáceis, não é brincadeira.
Depois de rodar Ashburton inteira, deixando currículos e preenchendo formulários em todas as lojas possíveis, finalmente alguém me ligou. Adivinhem onde? Sim. McDonald's.
Foram três minutos de entrevista para a gerente marcar três horas de experiência para mim amanhã. Ou seja, vou trabalhar três horas para ver se gosto do trabalho e se eles acham que eu levo jeito para isso e ganhar um vale de NZ$10,00 para comer lá.
Não é exatamente o que eu estava esperando, mas como há aquele problema já comentado sobre a ausência de putos furados no bolso, se tudo der certo eu visto o uniforme azul feio e o bonezinho preto e mãos à obra. Torcendo escondida para que algum outro lugar veja meu currículo e diga "Oh, puxa! Esta pessoa parece legal, vamos contratá-la!" e eu possa mudar de emprego.
Não tenho problemas pessoais com o McDonald's, na verdade. E talvez assim que eu começar a trabalhar lá, veja que na verdade é muito legal e queira ficar. Meu problema na realidade é trabalhar no mesmo lugar em que o Ju trabalha desde o fim do ano passado. Pode ser besteira minha, mas pelo menos por enquanto prefiro outro lugar.
De resto tudo continua na mesma. Nossa flatmate gigante continua sem tomar banho (ah, sim, acho que esqueci deste detalhe no último post), continuo com três gatos em casa (porque além do Jack e do Chris, ainda estamos hospedando a Meg, irmã-prima do Jack, enquanto meu cunhado está no Brasil) e minha casa continua gelada feito o Mt. Hutt, que por sinal está coberto de neve até quase o pé.
Então vou aproveitar minha última hora e vinte minutos de aniversário e volto quando puder.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
[Quem é vivo sempre aparece]
Para todo desaparecimento há uma explicação. Não seria diferente aqui.
Passei os últimos três meses em terras tupiniquins. E sem tempo ou sem computador ou sem vontade de postar algum tipo de notícia pelo meu Diário de Bordo, nem mesmo para dar um "Olá, não morri, estou no Brasil" ou algo do tipo.
Mas voltei, finalmente. Depois das atribulações da viagem, de mais 16 horas de vôo pelas Aerolíneas Argentinas, de mais 12 horas esperando em aeroportos até finalmente chegarmos na nossa casa nova.
Sim. "Chegarmos". Plural.
Por motivos que são mais resumidamente explicados com o fato de que dentistas no Brasil são estupidamente mais baratos e mais eficientes do que na Nova Zelândia (fato já explorado neste blog), Juliano resolveu de uma hora para a outra embarcar rumo a São Paulo para finalmente terminar o canal no tal dente que volta-e-meia dava problema. Passou três semanas lá, ao fim do qual voamos juntos para casa.
E estamos em uma casa nova. Não mais a pequenina, meiga, clara e moderna casa ao estilo japonês de Methven, mas sim uma grande, antiga, fria porém charmosa casa ao estilo Kiwi em Ashburton. E agora temos uma roommate gigante, como disse a mãe (letra minúscula porque ela disse que mais uma vez usando letra maiúscula e ela começaria a usar um manto de Nossa Senhora - ou algo do tipo, não lembro direito qual foi a ameaça). É a Hine (lê-se "rine", como em "rinite" ou similar), uma kiwi-maori tão simpática quanto grande (e acreditem quando a mãe diz que ela é enorme) importada de Auckland e a primeira pessoa que eu conheço ao vivo e em cores que fala Māori, a língua dos nativos neo-zelandeses.
Sim, porque os nativos neo-zelandeses têm uma língua própria que até hoje é falada entre eles. Inclusive existem programas de TV e até um canal especialmente voltado para eles, onde passam desenhos tipo Ben 10 dublados em maori. Divertido (okay... "engraçado" seria a palavra mais exata...).
E quanto a mim, ainda procuro o que fazer. Viemos passar os dias de folga do Ju na casa da mãe, onde tem internet (ah, sim... Juliano fez o favor de derrubar champanhe no nosso notebook, então estamos sem internet por tempo indeterminado) e eu aproveitei para imprimir meu currículo. Vou tentar alguma coisa nos supermercados, locadoras e livraria (singular porque só tem uma). Em último caso, tento no McDonald's. Me desejem sorte!
Por enquanto é o que tenho a contar. Sobre as férias no Brasil não tenho muito a dizer, e mesmo se tivesse já passou da data de validade. Assim que eu tiver novidade e uma internet, volto para manter este blog informado.
Passei os últimos três meses em terras tupiniquins. E sem tempo ou sem computador ou sem vontade de postar algum tipo de notícia pelo meu Diário de Bordo, nem mesmo para dar um "Olá, não morri, estou no Brasil" ou algo do tipo.
Mas voltei, finalmente. Depois das atribulações da viagem, de mais 16 horas de vôo pelas Aerolíneas Argentinas, de mais 12 horas esperando em aeroportos até finalmente chegarmos na nossa casa nova.
Sim. "Chegarmos". Plural.
Por motivos que são mais resumidamente explicados com o fato de que dentistas no Brasil são estupidamente mais baratos e mais eficientes do que na Nova Zelândia (fato já explorado neste blog), Juliano resolveu de uma hora para a outra embarcar rumo a São Paulo para finalmente terminar o canal no tal dente que volta-e-meia dava problema. Passou três semanas lá, ao fim do qual voamos juntos para casa.
E estamos em uma casa nova. Não mais a pequenina, meiga, clara e moderna casa ao estilo japonês de Methven, mas sim uma grande, antiga, fria porém charmosa casa ao estilo Kiwi em Ashburton. E agora temos uma roommate gigante, como disse a mãe (letra minúscula porque ela disse que mais uma vez usando letra maiúscula e ela começaria a usar um manto de Nossa Senhora - ou algo do tipo, não lembro direito qual foi a ameaça). É a Hine (lê-se "rine", como em "rinite" ou similar), uma kiwi-maori tão simpática quanto grande (e acreditem quando a mãe diz que ela é enorme) importada de Auckland e a primeira pessoa que eu conheço ao vivo e em cores que fala Māori, a língua dos nativos neo-zelandeses.
Sim, porque os nativos neo-zelandeses têm uma língua própria que até hoje é falada entre eles. Inclusive existem programas de TV e até um canal especialmente voltado para eles, onde passam desenhos tipo Ben 10 dublados em maori. Divertido (okay... "engraçado" seria a palavra mais exata...).
E quanto a mim, ainda procuro o que fazer. Viemos passar os dias de folga do Ju na casa da mãe, onde tem internet (ah, sim... Juliano fez o favor de derrubar champanhe no nosso notebook, então estamos sem internet por tempo indeterminado) e eu aproveitei para imprimir meu currículo. Vou tentar alguma coisa nos supermercados, locadoras e livraria (singular porque só tem uma). Em último caso, tento no McDonald's. Me desejem sorte!
Por enquanto é o que tenho a contar. Sobre as férias no Brasil não tenho muito a dizer, e mesmo se tivesse já passou da data de validade. Assim que eu tiver novidade e uma internet, volto para manter este blog informado.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
[Último Dia do Primeiro Trabalho]
Hoje foi o meu último dia de trabalho no Lodge. Uma noite de segunda, bastante tranqüila e pela qual recebi 50% a mais porque é feriado.
Sim, aqui tem mais esta vantagem: em feriados nacionais o pagamento é "time and a half", ou 50% maior.
Vou sentir saudades da Jo e do Butch. Apesar de muitas vezes eu ter sentido vontade de enforcá-la (só a ela, o Butch sempre foi extremamente legal comigo), os dois foram os melhores primeiros patrões que eu poderia ter tido. Muito pacientes desde o meu primeiro dia, sempre me explicando tudo e me ajudando a aprender. Preciso lembrar de mandar cartão-postal do Brasil e de trazer uma lembrancinha para eles.
E as últimas pessoas que eu atendi sob o cargo de garçonete do Mt. Hutt Lodge foram um casal de escoceses que está hospedado lá. Conversei durante muito tempo com eles (a ponto de eu ter que prometer aos patrões - que são tão pão-duros quanto qualquer outro patrão - que iria descontar 10 minutos do meu pagamento). Os dois são muito simpáticos, trabalham com estudantes internacionais e ficaram bastante interessados em mim, me enchendo de perguntas sobre a minha relação com a língua inglesa, se eu consigo perceber sotaques e coisas do tipo. E, como todo bom britânico, eram absurdamente educados e me passaram nome, endereço e telefone para que eu os visite quando for para a Escócia (que, bom, é um dos primeiros países na lista dos que eu quero conhecer - preciso descobrir o Monstro do Lago Ness).
Terminando a noite como qualquer outra, lavei todos os pratos (o que significa os dois do casal e os dois dos patrões), arrumei a cozinha e vim embora. Volto lá na quarta para buscar o pagamento da semana e entregar oshorríveis uniformes amarelos.
E, ainda extra-oficial, viajo na segunda que vem. Só preciso marcar a passagem.
Sim, aqui tem mais esta vantagem: em feriados nacionais o pagamento é "time and a half", ou 50% maior.
Vou sentir saudades da Jo e do Butch. Apesar de muitas vezes eu ter sentido vontade de enforcá-la (só a ela, o Butch sempre foi extremamente legal comigo), os dois foram os melhores primeiros patrões que eu poderia ter tido. Muito pacientes desde o meu primeiro dia, sempre me explicando tudo e me ajudando a aprender. Preciso lembrar de mandar cartão-postal do Brasil e de trazer uma lembrancinha para eles.
E as últimas pessoas que eu atendi sob o cargo de garçonete do Mt. Hutt Lodge foram um casal de escoceses que está hospedado lá. Conversei durante muito tempo com eles (a ponto de eu ter que prometer aos patrões - que são tão pão-duros quanto qualquer outro patrão - que iria descontar 10 minutos do meu pagamento). Os dois são muito simpáticos, trabalham com estudantes internacionais e ficaram bastante interessados em mim, me enchendo de perguntas sobre a minha relação com a língua inglesa, se eu consigo perceber sotaques e coisas do tipo. E, como todo bom britânico, eram absurdamente educados e me passaram nome, endereço e telefone para que eu os visite quando for para a Escócia (que, bom, é um dos primeiros países na lista dos que eu quero conhecer - preciso descobrir o Monstro do Lago Ness).
Terminando a noite como qualquer outra, lavei todos os pratos (o que significa os dois do casal e os dois dos patrões), arrumei a cozinha e vim embora. Volto lá na quarta para buscar o pagamento da semana e entregar os
E, ainda extra-oficial, viajo na segunda que vem. Só preciso marcar a passagem.
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